terça-feira, dezembro 25, 2012

Sento-me no parapeito da janela e sinto a brisa gelada. Respiro fundo...pego na caneta. Coloco os fones e escrevo. Escrevo sobre tudo. Sobre a saudade. Sobre a raiva. Sobre a solidão. Partilho um dos meus maiores segredos com um simples pedaço de papel. Pousa um pássaro no lado aposto do parapeito onde me encontro sentada. Observo-o. Está com medo. Tal como eu. Pensativo. Tal como eu. Irónico hum? Será que tu te sentes assim? Será que ainda consegues sentir algo? Será que o calor da saudade, do arrependimento, do desespero derreteu esse teu coração gelado? Como esta brisa que me põe os pêlos em pé? Sabes...tu foste e eu... fui contigo. Piu. Disse o passarinho enquanto se coloca em posição de voo. Lá foi ele...poisar noutros parapeitos. Sentir outras brisas. Não sei o que é pior...ter inveja de um passarinho ou ter  esperança que tu poises, quem sabe, neste parapeito...como fizemos em outras tantas noites. Outros tempos. Outras vidas. A música mudou. Pouso os fones, o papel e a caneta. Numa fração de segundos, vem uma brisa mais violenta e o papel parte. E assim, parte mais um pouco de mim. E daquilo que resta. Aos poucos vou desaparecendo. Ficando mais pequena. E pequena.

1 comentário:

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Bom, o pouco que consegui ler merece comentário. Podes não querer escrever, mas já escreves bem. Frase curta, certeira, ritmo, originalidade. Muito estranharia eu se o meu juízo instintivo da alma artística falhasse. Parabéns. Desde que cuides do particípio passado (passaste, fizeste, correste:), nada a dizer, a não ser bem. E a escrita é útil, nem que seja para escreveres as tuas próprias peças. Quanto à sessão escolar de hoje, fica para post autónomo no meu blogue, a preparar com tempo. Mais uma vez duas horas e tal notáveis em que eu aprendo muito mais do que o que ensino. Os rapazes, Ruben, Tiago, Luís, etc, foram magníficos, a Ana Rita uma surpresa, a Catarina a da inquietude artística a palpitar. Boa gente, muito obrigado.